A Bimota Tesi H2 representa uma das abordagens de engenharia mais radicais e exclusivas do motociclismo de alta performance. Equipada com o motor quatro cilindros sobrealimentado da Kawasaki de 228 hp (231 cv), a superesportiva italiana abandona o conceito tradicional de garfo telescópico e chassi tubular em favor de uma arquitetura central no cubo da roda. Com produção restrita a apenas 250 unidades mundiais e preço estimado em US$ 75.000 (cerca de R$ 430.000 em conversão direta), o modelo justifica seu alto custo por meio de soluções mecânicas inéditas e uso extensivo de fibra de carbono e alumínio usinado em CNC.
Ao contrário da esmagadora maioria dos modelos do mercado, a Tesi H2 separa completamente a função de esterçamento da função de amortecimento na dianteira. O conceito elimina a compressão excessiva da frente sob frenagens intensas, mantendo a geometria da moto inalterada ao entrar em curvas em alta velocidade. A proposta atrai colecionadores e entusiastas que buscam tecnologias de ponta que vão além do padrão das pistas convencionais.
A Bimota Tesi H2 adota o sistema de direção no cubo dianteiro (conhecido como hub-center steering) para substituir as bengalas tradicionais de suspensão. Na configuração convencional usada por décadas na indústria automotiva e de duas rodas, o garfo dianteiro precisa absorver impactos da pista, realizar o esterçamento e suportar todas as forças de transferência de peso durante a frenagem. Essas tarefas simultâneas frequentemente entram em conflito, fazendo a frente mergulhar e alterando a distância entre eixos no momento crucial da curva.
Na Tesi H2, o sistema utiliza dois braços oscilantes — um na dianteira e outro na traseira —, ambos fixados diretamente ao bloco do motor. A roda dianteira esterça em torno de um pivô interno localizado no próprio cubo da roda, acionado por hastes e articulações mecânicas ligadas ao guidão. O trabalho de absorção de impactos fica a encargo de amortecedores Öhlins independentes. O resultado prático é uma separação clara entre a suspensão e a direção, garantindo estabilidade contínua ao motociclista.
A grande vantagem teórica e prática da direção no cubo da Bimota Tesi H2 é a eliminação do mergulho da suspensão dianteira durante frenagens bruscas. Quando o piloto aciona o manete de freio com força, as cargas de desaceleração são transferidas horizontalmente através do braço oscilante dianteiro diretamente para a estrutura do motor, em vez de comprimir as molas da suspensão.
Essa estabilidade geométrica permite que o sistema de freios opere com máxima eficiência. A Bimota equipou o modelo com pinças radiais Brembo Stylema e discos flutuantes de 330 mm na dianteira, similar ao pacote presente na linha supercharged da Kawasaki. No entanto, por manter a geometria de direção neutra e a altura em relação ao solo constante durante a desaceleração, a Tesi H2 consegue reduzir as distâncias de parada e oferecer um feedback tátil incomparável no guidão, sem que a traseira perca contato com o asfalto.
O coração mecânico da Bimota Tesi H2 é o consagrado motor de quatro cilindros em linha de 998 cm³ alimentado por um compressor centrífugo (supercharger), derivado diretamente da fabricante japonesa Kawasaki, que detém participação na marca italiana. O propulsor entrega expressivos 228 hp de potência máxima a 11.500 rpm e torque superior a 14,4 kgfm, gerenciado por um pacote eletrônico completo com controle de tração, ABS de curva e controle de largada.
Mais do que apenas gerar força, o motor atua como elemento estrutural portante do chassi. Não existe um quadro tradicional envolvente. Os braços oscilantes dianteiro e traseiro são usinados em blocos maciços de alumínio aeronáutico e conectados ao motor com pontes de fibra de carbono. Essa construção exótica permite uma redução significativa de peso: a Tesi H2 pesa cerca de 207 kg a seco, sendo quase 30 kg mais leve que a Kawasaki Ninja H2 SX SE, melhorando a relação peso-potência do conjunto.
O valor de tabela estipulado na época de seu lançamento foi de € 64.000 (aproximadamente US$ 75.000 no mercado norte-americano). Esse valor posiciona a Bimota Tesi H2 em um patamar muito acima das superesportivas de grande série. Para efeito de comparação, uma versão convencional de linha da marca japonesa custa menos da metade do preço da edição artesanal italiana.
A justificativa para a discrepância de valores reside no volume de produção e no nível de usinagem artesanal. Com tiragem rigorosamente limitada a 250 unidades numeradas fabricadas em Rimini, na Itália, cada componente estrutural recebe acabamento manual, desde a carenagem integral em fibra de carbono exposta até as asas aerodinâmicas ativas instaladas nas laterais para gerar sustentação negativa (downforce) em altas velocidades.
A Bimota Tesi H2 demonstra que o padrão tradicional de construção de motocicletas não é a única resposta para obter alto desempenho em duas rodas. As soluções adotadas pela marca exigem investimentos elevados, mas entregam vantagens dinâmicas reais que encantam entusiastas de tecnologia mecânica.
A Bimota Tesi H2 utiliza o motor tetracilíndrico de 998 cm³ sobrealimentado por compressor mecânico da Kawasaki H2. O propulsor desenvolve 228 hp de potência e atua diretamente como elemento estrutural do chassi da motocicleta.
A suspensão dianteira utiliza um braço oscilante de alumínio com sistema de esterçamento no cubo interno da roda. A solução separa as forças de impacto da pista das forças de frenagem, impedindo o mergulho da frente durante desacelerações intensas.
A Bimota produziu exatamente 250 unidades numeradas da Tesi H2 em sua fábrica em Rimini, na Itália. O modelo teve preço sugerido de aproximadamente US$ 75.000 destinados a colecionadores do segmento de altíssimo luxo.
Com informações de Portal de Notícias